Vida Bandida

Cansada pra caralho

cansada pra caralho

Eu to cansada. No meu quarto se acumula um cesto enorme de roupas sujas e eu já não tenho mais o que usar. Tô cansada e nunca tive tanto tempo livre desde os 16 anos. Moro há 5 minutos do trabalho, desconheço trânsito. Mas tô cansada. Deram um tiro de falta de consideração no meio do meu rostinho redondo. Tô cansada da falta de tato, carinho.  Olha, respeito e consideração não são atestados de amor eterno não, só de se importar mesmo.  Tô cansada dessa brutalidade afetiva, desejando ficar imune às pessoas, desejando me robotizar também. Talvez um tarja preta me torne menos sensível. É por isso que as pessoas viciam tanto? Não sentir ou sentir pouco deve ser bem confortável.

Abstraindo

Pão de Mel

A gente junto, uma delícia. Palavras que quase acariciavam o rosto, sabe? Daquela forma singela que ninguém consegue não gostar. Reciprocidade, vontade de compartilhar. Assunto que não acaba. Como está seu dia? Eu me importo. Quero saber tudo sobre você, até a roupa que você tá usando. Me encantei. Encanto. Lembro que, esfomeada demais, naquele bar da Lapa, a boca não tinha experimentado nenhum sabor ainda aquele dia que nos conhecemos. Abre um cerveja, me fala sobre você, pede algo sem carne aí que eu tô azul. As traduções dos pratos no cardápio!!!!! E atrás daqueles óculos tinham olhos tão expressivos e que fechavam franzidinhos quando você sorria. Pão. Melhor que o pão de mel que você trouxe algumas vezes pra mim. E agora? Não sei, não sei se quero saber o motivo de não encontrar mais aquela expressão fofa quando me olha. Tem oito dias que sinto sua falta e esse silêncio não é confortante como os tantos outros que dividimos. E eu não sei lidar.

Vida Bandida

Look do dia: saudade

Ontem eu estava lembrando da gente sentado naquele bar, em frente à praia, no início de tudo. A gente ama cerveja, mas era uma segunda-feira e só estávamos com nossas cervejas na mão pra não ficar com elas vazias. Era segunda-feira! Nós estávamos tão encantados um com o outro, seus olhos estavam tão brilhantes e felizes, me olhavam com curiosidade, admiração e desejo. Você estava vestindo uma camisa preta escrito “Adidas” bem no meio do peito — uma calça jeans. Tão lindo, capacete na mão. E eu pensando no quanto eu estava encrencada, mas doida pra te puxar pra mim e te segurar aqui pra sempre. Só você não fazia ideia do quão encantador você era (você é). Hoje você sabe. E nem vem me dizer que fui eu quem te mostrou, você descobriu sozinho. Era o seu caminho. Hoje eu tô vestindo bem no meio do peito “Saudade” e acho que todo mundo consegue ver. Sentadinha aqui no escritório, usando o trabalho pra sufocar esse sentimento escroto de não te ter aqui, espero com ansiedade o momento em que não vai mais doer tanto.

Vida Bandida

A vida é uma calcinha enfiada no cu

Eu queria conseguir te fazer as perguntas que tanto pairam aqui sobre minha cabeça. Desde que você, em algumas das suas características crises de sinceridade violenta, me disse algumas coisas, eu guardei aqui dentro e não tive coragem de pronunciá-las mais. Nem pra você, nem pra ninguém. Mas elas estão aqui, guardadinhas, apertadas e sufocadas como aquela sua jaqueta de motociclista que até entrou na minha mochila, mas que quase rompia os fechos.

Não sei o que me mata mais, o fato de você ter criado algumas projeções do que achava que eu era dentro da sua cabeça e não ter sabido lidar com a realidade quando descobriu que eu não era sua salvadora (ou aquela mulher fantástica e hiper-segura) ou eu ter sido tão ingênua em achar que você estava exagerando todas as vezes que disse pra mim que eu desistiria de você por que você era ~uma pessoa muito difícil de conviver, e repetia em tom de profecia: você vai ver.

Naqueles momentos eu pensava que aguentaria tudo, que o nosso amor seria maior, que a gente ia superar nossos monstros um a um e encontrar um encaixe tão perfeito quanto era o dos nossos corpos juntos. Acaba que toda nossa história foi marcada por amor, paixão/ingenuidade, incompreensão. Mas eu viveria tudo de novo, só pra sentir a sensação perfeita de simbiose que nessa vida eu só senti com você. Nós queríamos, juntos. E eu faria tudo de novo. Que pena, nós nos perdemos.

Vida Doce

Desconstruindo

desconstruindo

A vida inteira somos ensinados que a ilusão de aprisionar alguém na torre do nosso castelo idealizado é a única (e certa) forma. E isso tá tão impresso dentro de nós que não percebemos o óbvio.

Meia liberdade não é liberdade. Um pouquinho de liberdade a mais que o convencional também não é liberdade. Sejamos livres!